Vila do Curiaú

Na comunidade vivem 489 famílias remanescentes de quilombolas que preservam as festas religiosas e as músicas do marabaixo.

A Vila do Curiaú é uma comunidade tradicional localizada a oito quilômetros da cidade de Macapá, a capital do Amapá, onde 489 famílias remanescentes de quilombolas ainda guardam na memória a história dos seus antepassados, seja por meio dos relatos bem contados pelos antigos moradores, pelas festas religiosas ou pelo som do batuque dos tambores do marabaixo, o ritmo usado pelos escravos para amenizar o sofrimento nos porões dos navios negreiros e considerado a maior expressão cultural amapaense.

O local é considerado um sítio histórico e ecológico, cuja população é constituída de negros que descendem de um povo escravizado e que formaram um quilombo ao fugirem dos maus tratos a quais eram submetidos durante a construção da Fortaleza de São José de Macapá. Em 3 de novembro de 1999, a Fundação Palmares, órgão ligado ao Ministério da Cultura, emitiu o Título de Reconhecimento de Domínio das terras do Quilombo do Curiaú. Foi o primeiro título de quilombo no estado do Amapá e o segundo no país.

Atualmente sua população corresponde ao dobro de quando foi criado, mas todo mundo é parente de todo mundo. Seus moradores são negros por excelência e a comunidade é predominantemente católica, mas com o sincretismo religioso de quem ainda procura as benzedeiras tradicionais antes de ir ao médico para ter certeza que não se trata de uma doença espiritual.